CELINA LEÃO ROMPE O SILÊNCIO SOBRE O 8 DE JANEIRO E REVELA PRESSÃO DO GOVERNO LULA PARA AFASTAMENTO

Em entrevista, governadora do DF afirma que foi tratada com dureza por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, denuncia tentativa de afastamento e sai em defesa de coronéis da Polícia Militar punidos pelo Supremo Tribunal Federal.

Por Nildo Costa

Brasília, 11 de abril de 2026

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), se posicionou publicamente, pela primeira vez, sobre os acontecimentos do 8 de janeiro. Em entrevista concedida neste sábado (11) ao programa Vozes da Comunidade, ela revelou bastidores da crise institucional e afirmou que sofreu forte pressão por parte do governo federal, que, segundo ela, cogitou seu afastamento do cargo.

De acordo com Celina Leão, ao chegar ao Ministério da Justiça, encontrou a situação já fora de controle, com os prédios dos Três Poderes invadidos. Ela relatou que mantinha contato direto com o coronel Cléfter, responsável por operações naquele momento crítico, e que sua atuação foi decisiva para a retomada da ordem.

A governadora também revelou que foi tratada com rigidez por um representante do governo ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teria afirmado que tanto ela quanto o então governador Ibaneis Rocha (MDB) seriam afastados. Ibaneis acabou sendo retirado do cargo por decisão judicial à época.

“Até que isso aconteça, eu ainda sou a vice-governadora e estou aqui para resolver”, teria respondido Celina, destacando sua postura diante da crise.

Segundo ela, após a retomada dos prédios públicos — Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal — houve uma articulação direta com o presidente da República. Inicialmente, a possibilidade de afastamento também dela foi considerada, mas acabou sendo descartada.

A solução adotada, conforme relatou, foi a intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal.

Celina Leão fez questão de ressaltar que a retomada dos prédios foi realizada pela Polícia Militar do Distrito Federal. “Não foi o Exército, não foi outra polícia. Foi a minha Polícia Militar”, afirmou.

A governadora ainda saiu em defesa dos coronéis da corporação, alegando que eles estão sendo alvo de injustiça. Segundo ela, os oficiais atuaram sob risco, enfrentando bombas e situações extremas para conter os atos de vandalismo.

Nesta semana, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a exoneração de oficiais da Polícia Militar envolvidos na operação daquele dia. Muitos deles, segundo Celina, estão presos e enfrentam dificuldades financeiras junto às suas famílias.

“Eu sou testemunha ocular. Aqueles homens estavam ali, com bombas explodindo ao lado, e conseguiram retomar todos os poderes”, declarou.

A fala da governadora reacende o debate sobre a responsabilização dos agentes públicos e o papel das forças de segurança nos atos de 8 de janeiro, considerados por autoridades como um dos episódios mais graves contra a democracia brasileira.

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