Por Nildo Costa
Brasília, 29 de junho de 2026
Lula falhou. Falhou porque transformou promessas em discurso, esperança em propaganda e problemas reais do povo brasileiro em narrativa política. O presidente voltou ao poder dizendo que o Brasil reencontraria o caminho do desenvolvimento, da comida barata, da dignidade e da estabilidade. Mas, passados mais de três anos do chamado governo Lula 3, o que muitos brasileiros enxergam é um país ainda preso aos mesmos problemas: fila, carestia, insegurança econômica, dependência do Estado e muita retórica.
Lula falhou quando tratou com ironia ou simplicidade exagerada uma guerra grave como o conflito entre Rússia e Ucrânia, afirmando que, no Brasil, os motivos da guerra seriam resolvidos em uma mesa de bar. A guerra continuou, milhares de vidas foram perdidas, a diplomacia internacional não encontrou solução definitiva e o discurso do presidente brasileiro ficou pequeno diante da complexidade do problema. A promessa de influência mundial deu lugar a uma realidade dura: Lula não resolveu a guerra e viu sua fala ser lembrada como exemplo de improviso político.
Lula falhou também quando prometeu enfrentar a fila do INSS. A promessa era dar resposta rápida ao cidadão que trabalhou, contribuiu e depende de um benefício para sobreviver. No entanto, milhões de brasileiros continuaram aguardando análise de aposentadorias, auxílios, pensões e benefícios assistenciais. Para quem está doente, desempregado ou sem renda, fila do INSS não é número de planilha: é comida que falta, remédio que atrasa e dignidade que escapa pelas mãos.
Lula falhou na promessa simbólica da picanha. Durante a campanha, falou-se muito em churrasco, picanha e cervejinha. A mensagem era simples: o povo voltaria a comer melhor. Mas, no dia a dia, o brasileiro sabe que a realidade do supermercado é outra. Há famílias com dificuldade para comprar um quilo de costela; imagine, então, um quilo de picanha. O trabalhador entra no açougue, olha os preços, calcula o salário, pensa nas contas da casa e percebe que o discurso bonito não enche a panela.
Lula falhou porque passou a empurrar a esperança sempre para o ano seguinte. Primeiro, disse que era preciso plantar. Depois, que a colheita viria. Em seguida, a colheita foi sendo transferida para outro ano, como se o povo pudesse esperar eternamente. O brasileiro não vive de promessa futura. Vive do salário do mês, do preço do arroz, do feijão, da carne, do aluguel, da conta de luz e do remédio na farmácia.
O governo falha quando tenta vender assistencialismo como projeto de desenvolvimento. Programas sociais são importantes para quem mais precisa, mas não podem ser usados como instrumento permanente de dependência política. O povo brasileiro não quer apenas receber ajuda; quer emprego, renda, segurança, educação de qualidade, oportunidade e liberdade para crescer sem depender de favor do governo.
O Nordeste brasileiro é um exemplo que precisa ser discutido com seriedade e respeito. A região historicamente dá forte votação a Lula e ao PT, mas continua enfrentando índices elevados de pobreza, desigualdade e falta de oportunidades. Isso mostra que voto de gratidão não resolve problema estrutural. O povo nordestino merece mais do que discurso emocional em época de eleição. Merece desenvolvimento real, infraestrutura, indústria, educação, segurança hídrica e emprego.
Lula falhou porque insiste em governar olhando mais para a narrativa do que para o resultado. Quando o governo não entrega, culpa adversários, mercado, imprensa, Congresso, cenário internacional ou governos anteriores. Mas quem está no Palácio do Planalto precisa assumir responsabilidade. Presidente não foi eleito apenas para discursar; foi eleito para resolver.
Também preocupa a forma como Lula e setores do PT tratam a democracia. Quando um líder político relativiza conceitos democráticos, aproxima-se de regimes autoritários ou passa a dividir o país entre “nós” e “eles”, o alerta precisa ser ligado. Democracia não pode ser relativa. Democracia exige alternância de poder, liberdade de imprensa, respeito às instituições, responsabilidade fiscal, transparência e compromisso com a verdade.
O Brasil não pode caminhar para um modelo de dependência, aparelhamento e controle político da sociedade. O país precisa de liberdade econômica, geração de empregos, valorização do trabalho, respeito ao dinheiro público e compromisso com o futuro. Nenhum governo deve tratar o povo como massa de manobra eleitoral.
Por tudo isso, a conclusão é direta: Lula falhou. Falhou nas promessas de campanha, falhou na condução econômica, falhou na fila do INSS, falhou na promessa da picanha, falhou na tentativa de se apresentar como grande mediador internacional e falhou ao insistir em uma política baseada mais em discurso do que em entrega.
O problema, porém, não está apenas em Lula. Está também em parte do eleitorado brasileiro, que precisa analisar com mais frieza, menos paixão e mais cobrança. Eleição não pode ser decidida por medo, propaganda ou conversa bonita. Precisa ser decidida por resultado, verdade e compromisso com o país.
Em 2026, o Brasil tem uma oportunidade importante de refletir sobre o caminho que deseja seguir. O povo precisa acordar, comparar promessa com realidade e cobrar responsabilidade de quem governa. Porque um país do tamanho do Brasil não pode viver eternamente esperando uma colheita que nunca chega.

