Por Nildo Costa – Rádio Ingá News
O Brasil é um país de dimensões continentais, com mais de 200 milhões de habitantes e uma realidade completamente diferente entre suas regiões. Ainda assim, praticamente todos os dias são divulgadas pesquisas eleitorais que, muitas vezes, apresentam resultados completamente distintos umas das outras.
Essa situação levanta um questionamento legítimo: afinal, qual retrato realmente representa a vontade do eleitor brasileiro?
Não se trata de desacreditar as pesquisas eleitorais, que são instrumentos importantes para medir a opinião pública em determinado momento. O problema surge quando levantamentos divulgados em datas próximas apresentam números tão diferentes que acabam gerando mais dúvidas do que esclarecimentos.
Na minha avaliação, chegou o momento de a Justiça Eleitoral ampliar a fiscalização sobre esses levantamentos e exigir um nível ainda maior de transparência dos institutos de pesquisa.
É fundamental que fique absolutamente claro para a sociedade:
* Em quais cidades e estados a pesquisa foi realizada;
* Quantas pessoas foram entrevistadas em cada localidade;
* Em que período ocorreu a coleta dos dados;
* Quem contratou e financiou o levantamento;
* Qual metodologia foi utilizada na seleção dos entrevistados.
Essas informações devem estar disponíveis de forma clara e de fácil compreensão para toda a população. A transparência fortalece a confiança nas pesquisas e contribui para um debate público mais qualificado.
Também considero que, sempre que houver indícios de inconsistências, irregularidades ou qualquer tentativa de manipulação, cabe à Justiça Eleitoral promover a devida apuração e, quando necessário, contar com o apoio dos órgãos de investigação competentes, como a Polícia Federal, dentro de suas atribuições legais.
As pesquisas devem servir para informar a sociedade, e não para gerar desconfiança. Quanto maior a transparência sobre sua realização, maior será sua credibilidade.
No fim das contas, existe apenas uma pesquisa capaz de definir quem vence uma eleição: aquela realizada nas urnas, no dia da votação. Essa, sim, expressa a vontade soberana do povo brasileiro.

