A propriedade rural, segundo a reportagem, é cortada por um igarapé, conta com um casarão de dois andares e tem área equivalente a cerca de 2 mil campos de futebol
Por Nildo Costa
06/12/2025 às 10h05

Uma reportagem publicada pelo Metrópoles neste sábado (5) revelou que o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo federal no Senado, adquiriu uma fazenda no município de Matões do Norte (MA) pelo valor de R$ 15 milhões — valor que supera mais de três vezes o patrimônio declarado por ele em 2022.
A propriedade rural, segundo a reportagem, é cortada por um igarapé, conta com um casarão de dois andares e tem área equivalente a cerca de 2 mil campos de futebol.
Além disso, o portal mostra que logo após a aquisição, foi construída ao lado da fazenda uma pista de pouso — e que, embora o senador não declare possuir aeronaves, ele teria utilizado jatinhos com frequência no estado do Maranhão, incluindo um pertencente a um associado de um investigado no caso conhecido como “Farra do INSS”.
📄 Nota do senador: legalidade e transparência
Em reação à repercussão da compra, Weverton Rocha divulgou uma nota oficial afirmando que “todas as minhas atividades econômicas e empresariais estão, e estarão, devidamente declaradas nas minhas declarações anuais de renda ou das empresas das quais faço parte, dentro da lógica financeira e da legalidade fiscal.”
A nota, no entanto, não foi acompanhada de documentos públicos que mostrem detalhadamente a origem dos recursos usados para a transação, nem detalhes sobre o financiamento da propriedade — fato que gera questionamentos entre analistas sobre a disparidade entre o valor da fazenda e o patrimônio declarado anteriormente.
Na declaração de bens de 2022, quando disputou o governo do Maranhão, Weverton havia declarado patrimônio de cerca de R$ 4,2 milhões. A fazenda de R$ 15 milhões representa um aumento significativo e abrupto de patrimônio.
A propriedade foi comprada por meio de uma empresa vinculada ao senador — a DJ Agropecuária Comércio e Prestação de Serviços Ltda. —, o que levanta discussões sobre transparência e estrutura de controle das empresas que declarava possuir.
A construção da pista de pouso ao lado da fazenda, pouco depois da aquisição, e o uso frequente de jatinhos (não declarados em seu nome) suscitam dúvidas sobre mobilidade e despesas, diante da declaração pública de patrimônio.
A revelação ganhou repercussão nacional justamente porque Weverton Rocha ocupa cargo de destaque — como vice-líder do governo no Senado e relator da indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF), de Jorge Messias.
Para analistas e parte da opinião pública, a discrepância patrimonial e o uso de estrutura empresarial para aquisição da fazenda trazem à tona questões sobre transparência, coerência fiscal e a confiabilidade das declarações de bens de autoridades públicas — temas sensíveis, especialmente em um contexto de debates sobre ética, controle do patrimônio de mandatos e combate à corrupção.
Para outros, a nota apresentada por Weverton, afirmando estar em conformidade com obrigações fiscais, reforça o argumento de que aquisições de alto valor são legítimas se foram declaradas e sendo realizadas dentro da legalidade.
